Seja Bem Vindo!

Solidariedade ao Povo Haitiano! Resistência Povo Palestino!
Viva o Povo Líbio e sua luta contra o Imperialismo!

Carpe Diem!



Pesquisar este blog

Carregando...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O que é educação?*

Por Rudá Morais Gandin

Nesta primeira edição de 2012 do Jornal Coração de Estudante iniciaremos uma série de publicações sobre Educação que buscam, no limite, por a luz os grandes dilemas desta época no referido campo, de modo que possamos contribuir com as diversas análises, reflexões e debates acerca da Educação. Neste intuito estruturei uma “linha do tempo”, não apenas por uma questão organizacional e sim, para tornar mais límpido a complexidade que é os debates no âmbito da Educação. Pensando nisso imaginei três temas globais e, portanto, a seguinte ordem cronológica: 1) Os conceitos de Educação, 2) Estado e Educação, 3) Escola e Educação. Nesta medida, teremos para cada tema global alguns textos com o objetivo de elucidar e contribuir para as análises no campo da Educação. Esperamos, com estas medidas, iniciar um movimento contagiante que aglutine educadores (as), estudantes e gestores (as) em defesa da educação - pública e universal.

O presente texto “O que é Educação?” é a ponta de partida das publicações, um resumo das observações e leituras referentes às análises acerca dos conceitos sobre educação que, no decorrer dos anos, venho acumulando. É um breve ensaio, que tem por objetivo elencar alguns elementos, a fim de que possamos pensar este fenômeno estritamente humano e fundamentalmente enraizado em nossas relações em sociedade.

A Educação é uma temática amplamente pensada e pautada por diversos movimentos sociais, governos, ONG’s e sociedade em geral. Todavia, “o que é educação?” continua sendo uma das principais indagações para aqueles que buscam dissertar e refletir sobre o referido campo. Neste contexto, este ensaio buscará – de maneira breve – definir “o que é educação?”, procurando problematizar este conceito que tem, em muitos, sido objeto de confusão.

A educação, ainda que possamos assimila-la com os efeitos de transmissão de algum tipo de conhecimento, tem se mostrado - no mundo contemporâneo - muito mais ampla. Pensando nisso, podemos imaginar que, para além da escola, a educação perpassa os muitos espaços onde existem homens ou mulheres; crianças ou jovens; adultos ou idosos. Isto porque, educação tem a ver, segundo Durkheim pela “ação exercida pelas gerações adultas sobre aquelas que ainda não estão maturas para a vida social”, em outras palavras, educação é todo o processo de transferência de valores, regras e costumes de uma geração para outra, a fim de que a geração mais nova possa ingressar na vida social. Contudo, esta definição de educação, ainda, não basta.

Nestas proporções, educação é todo movimento histórico exercitado pelos seres humanos a fim de perpetuar, resumidamente, a própria espécie. Dito isso, a educação acontece em todo lugar, seja em: casa, no trabalho, na escola, no hospital, na família ou com os amigos. Todo lugar é lugar do fenômeno educativo e, portanto, de aprender e ensinar. Em poucas palavras educação é a transmissão por algum individuo para o outro – de um determinado valor desconhecido do primeiro para o segundo, ou do segundo para o primeiro - seja intencionalmente ou não, que garanta a internalização de hábitos, crenças e valores.

Em tempo, antes de prosseguir com as reflexões acerca do conceito de educação, nos reservaremos a continuar na próxima edição do jornal, de modo que dedicaremos à coluna inteira apenas com a função de responder esta inquietação. Esperamos que com este breve início, possamos estar dando o ponto a pé inicial para outros futuros textos, neste jornal, que reflitam e discutam este tema.


*Texto publicado no Jornal Coração de Estudante, Edição 45/2012

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Mundo Mudou. Amanhã também mudará.

Por Rudá Morais Gandin

As mudanças na modernidade, em especial nos últimos anos, causaram, não apenas, determinadas transformações no campo econômico, advindas das crises decorrentes do modelo de produção capitalista, mas no campo dos valores individuais e coletivos que, de alguma maneira, norteiam as relações entre os seres humanos. Às greves e mobilizações espalhadas pelo mundo marcaram este ano e possibilitaram olharmos para o futuro com olhos mais esperançosos. O mundo mudou. Amanhã também mudará.

Estamos a poucos dias da chegada do ano novo; nascem se, portanto, os novos projetos, as novas promessas e a esperança necessária para que a vida seja mais leve e rodeada de realizações individuais e coletivas. É tudo isso que queremos: um ano no qual possamos ser felizes, às vezes, com o pouco que temos. Porque, todavia, foi sempre assim; para os mais sofridos e marginalizados: sobreviver com pouco. Daquilo que é desnecessário - há não ser um lugar para comer e dormir, um tanto de dinheiro para circular e a sorte de ter bons amigos (as) para compartilhar os momentos pelos quais sozinhos não aguentaríamos.

Nesta chegada de ano novo, no que diz respeito à formação humana, em que tratamos por diversas vezes nos referidos textos aqui publicados, necessitaremos de muita disposição e fé, pois acreditar e contornar os entraves que vivenciamos neste mundo, onde as relações entre os humanos são marcadas pela ótica do mercado, é superar, em ultima analise, o modelo de sociedade que presenciamos. Nesta perspectiva a educação é fundamental, tanto a escolar ou não, na atribuição de valores que sensibilizem o ser humano moderno de sua tarefa transformadora neste mundo.

O mundo mudou. Tudo está diferente do ontem, possuíra constantes alterações no decorrer do presente e mudará, provavelmente, no dia de amanhã. Assim será o que virá: diferente do que foi. É o que esperamos, na medida em que o mundo de hoje possa ser outro; mais justo e fraterno, que supere as desigualdades sociais tão insistentes ao redor do planeta. Estes são os meus votos para o próximo ano.

Que tenhamos um próximo ano repleto de muita paz, alegria e amor!

Perseverantes na esperança!

Feliz 2012 para todos e todas!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O IDEB e a qualidade da educação municipal.

Por Rudá Morais Gandin


Os sistemas de ensino, a fim que possamos analisa-los no âmbito da qualidade educacional, necessitam de algum mecanismo de avaliação. Na melhor das hipóteses, necessitam de um instrumento para que professores, pais, governo e sociedade em geral acompanhem e verifiquem se a escola tem cumprido com êxito sua função primordial: ensinar.

Nesta perspectiva, como resposta as demandas da sociedade referente à educação o Governo Federal lança em 2007 o PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação, que tem como objetivo tornar a educação básica brasileira melhor. Para tanto, cria também como medida avaliadora o IDEB: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica que tem por finalidade medir a qualidade da oferta na educação básica brasileira.

O IDEB, numa escala de zero a dez, é um indicador de qualidade educacional baseado no desemprenho escolar dos alunos em avaliações organizadas pelo Ministério da Educação: Prova Brasil ou SAEB, e nos dados de aprovação, reprovação e abandono nas redes de ensino de estados e municípios e nas escolas, medidos pelo Censo Escolar. Esses dois fatores somados resultarão em médias que indicarão a qualidade da educação em cada escola, no estado e no País. Neste entendimento, com base nos resultados obtidos pelos Países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ao lançar o IBEB o governo brasileiro pretende até 2022 que a educação básica alcance média seis, igualando as médias dos países desenvolvidos.

Em São José dos Pinhais, segundo o último indicativo de qualidade proporcionado pelo IDEB, demonstra que a educação no município tem melhorado. A média obtida pela cidade foi, em 2009, de 5.1, três pontos a menos que a média estadual, todavia obteve quatro pontos acima da média municipal projetada pelo MEC para o respectivo ano.

Em que pese o IDEB possa ser responsável por inúmeras críticas ao modelo de avaliação proporcionado pelo Ministério da Educação na educação básica, as metas obtidas pelas escolas tem servido de estímulo para a melhora educacional brasileira nos últimos anos. Todavia, o IDEB não consegue dar conta em muitos aspectos do processo de ensino-aprendizagem que resultem numa média da qualidade educacional, como por exemplo: as condições socioculturais internalizadas neste processo.

No mais, é evidente a necessidade de instrumentos de avaliação, sem eles dificilmente conseguiríamos saber onde estamos e, portanto, onde queremos chegar. Nesta perspectiva o IDEB é um avanço, porém, ainda não é o ideal.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Censo: Cresce o número de matriculas nas IFES

Por Rudá Morais Gandin


O número de matrículas em instituições federais de educação superior, nos últimos dez anos no Brasil, tem aumentado. Segundo o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), divulgado nesta semana pelo Ministério da Educação – MEC, o Brasil quase duplicou o número de matrículas neste nível de ensino. Não apenas isso - aumentou também o número de concluintes nos diversos cursos de graduação nas variadas IFES pelo país. Diante deste cenário, o presente texto fará uma breve análise do momento peculiar que atravessamos de expansão do direito a educação pública superior no Brasil, de modo a apresentar alguns dados que servirão de reflexão para os caros leitores e interessados nas mudanças que estamos presenciando em movimento.

No decorrer de 2001 a 2010, nosso país vivenciou algumas transformações no que diz respeito ao ensino superior, em especial nas Instituições Federais de Educação Superior – IFES, prova disso foram às criações e expansões de universidades e faculdades, o que gerou vagas e consequentemente a exposição de uma demanda latente; estudantes que gostariam de ingressar nas IFES, mas não podem por falta de vaga.

Todavia o movimento elaborado pelo Estado na época - nestes dez anos - se mostrou inovador, posto que o ensino superior historicamente permanecesse disposto, apenas, a agrupar os filhos da elite nacional, ou seja, dos mais ricos do país. Neste sentido – inovador - o Estado promoveu, em conjunto com diversas faculdades e universidades, a implementação do sistema de cotas, que favoreceu uma parcela da sociedade, antes excluída do acesso ao ensino superior: em sua maioria estudantes de escolas públicas, pobres e negros. Dessa maneira, o acesso as IFES passou a ser tema de discussão do conjunto da sociedade, o que colocou em cheque a vitalidade de universidades e faculdades públicas destinadas apenas para brancos e ricos.

Em tempo, segundo o levantamento elaborado pelo INEP, os números demonstraram um aumento de quase 50% das matriculas nas IFES. Segundo o censo, no ano de 2001 o número de matriculas nas IFES era de 504. 797, dez anos depois, em 2010, o número de matriculas aumentou para 938.656, o que no concreto, demonstra a expansão deste espaço público para um conjunto maior de indivíduos da sociedade, ainda que, apesar do número crescente de matriculas seja modesto diante do número de indivíduos que ingressam em vestibulares e não passam por falta de vagas, é evidente que devemos assegurar que tais números – de vaga -continuem aumentando, de modo que possamos nos usufruir certo dia de uma Universidade Universal e de excelência.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Uma análise sobre o decrescente número da relação candidato/vaga no curso de Pedagogia da UFPR

Por Rudá Morais Gandin

Este presente texto busca analisar a relação candidato/vaga do processo seletivo da Universidade Federal do Paraná no que diz respeito ao curso de Pedagogia, tendo em vista a existência de um movimento decrescente do número de candidatos por vaga do referido curso, pare passu em que se aprofunda a intensidade do discurso proferido pela sociedade da precarização da escola. Ainda que, em geral, ser pedagogo (a) não remete se necessariamente ao ambiente escolar.

O discurso proveniente do conjunto da sociedade, isto inclui fundamentalmente os meios de comunicação e entidades relacionadas à educação vem buscando aleatoriamente advertir as esferas administrativas públicas, aonde compete oferecer educação, da necessidade da melhora das condições de trabalho dos profissionais desta área, que vem sofrendo, diante do grande número de alunos por turma, da péssima remuneração e da falta de equipamentos e espaços aonde possam exercer seu trabalho plenamente, um desgaste emocional e físico sem procedentes em suas respectivas vidas.

Este cenário, de precarização das relações de trabalho e de indefinição por parte do Estado em garantir uma escola de qualidade com excelentes condições de trabalho para seus profissionais vem gerando, evidentemente, uma incerteza e, consequentemente, uma crise da escola; sua função e seu respectivo rumo. Traduzindo se, por exemplo, nos números decrescentes de interessados em cursar algum curso superior que em geral esteja ligado à prática escolar.

No mais, para que o debate que proponho ganhe corpo, de maneira concreta, exemplificarei os números que levantei referente ao processo seletivo da UFPR no curso de pedagogia. Dizem os números: No processo seletivo 2008/2009, em que participei como um dos candidatos à vaga do curso de Pedagogia, a relação candidato/vaga estava entre 04 candidatos por vaga. Em processo seletivo posterior - 2010/2011 a relação candidato/vaga estava entre 03,50 candidatos por vaga. Por fim, no processo seletivo deste ano (2011/2012) a relação candidato/vaga estava entre 02,90 candidatos por vaga. A saber: recolhi algumas informações, ainda que informais, mas que demostram como este número – relação candidato/vaga - vem decrescendo no referido curso conforme os anos vão passando, são as informações: aos números que coloquei acima existiram momentos em que a relação candidato/vaga para o curso de pedagogia no processo seletivo da UFPR era de 16 candidatos vagas, posteriormente 11 candidatos vagas. Dito isso, acaba se percebendo o quanto o processo seletivo para o referido curso vem perdendo candidatos o que na área da educação significa menos profissionais e, portanto, diminuição de sala de aulas e consequentemente menos oferta das etapas e modalidades da educação brasileira.

Após recorrer aos números, que demostram evidentemente a baixa procura pelo curso de pedagogia por parte dos indivíduos, procurarei fazer uma análise que pudesse a principio, por a luz o que está nas entrelinhas destes dados.

É evidente o quanto a educação brasileira passa por inúmeros obstáculos para que se consiga formar seus sujeitos sociais. Seja por falta de investimentos nos espaços escolares ou por má formação de seus educadores. Os problemas que presenciamos na escola brasileira são muitos e isso se espelha nos inúmeros analfabetos funcionais e no aprofundamento das desigualdades de escolaridade que produzimos em nossa sociedade. Todavia, para que se possa pleitear alguma mudança no caso brasileiro, é necessário não apenas um bom processo formativo para os futuros trabalhadores na educação, e sim a difícil tarefa, contudo necessária, de causar as transformações do modelo no qual se baseiam as nossas estruturais sociais, em outras palavras, a educação esta relacionada ao modelo de sociedade que testemunhamos. Sendo assim, para uma educação que tornem homens e mulheres emancipados é fundamental a superação, portanto, do capitalismo. Na medida em que essa discussão se revela, também tornam se latentes posicionamentos contrários, ou ainda, nesta perspectiva, reformistas e atrasados no modo como compreendemos a educação e seu papel estratégico na edificação de uma nação e na formação de homens e mulheres livres.

No caso brasileiro, a educação pública dificilmente, nesta contemporaneidade em crise, consegue dar conta de uma formação no qual preze pela humanização do ser humano, de modo que o saber constituído historicamente, de maneira elaborada, seja assimilado pelos educandos. Na verdade, esta mesma escola, pós-universalização com a constituição cidadã e a obrigatoriedade do ensino fundamental, tanto na matricula como na oferta por parte do Estado, não conseguiu ser a redenção para muitos, em sua maioria pobre, que ingressaram pela primeira vez nos bancos escolares - aliás, até hoje, a principal discussão que ocupa o debate educacional brasileiro é o da qualidade, no qual ainda esta longe de terminar, isto porque, a qualidade da educação brasileira parece distante - ainda mais para as camadas menos favorecidas da sociedade. Neste contexto, de dificuldades e indefinições quanto aos rumos da educação, em sua prática escolar, a ausência de candidatos para cursos superiores que tem como fim a sala de aula, me parece normal. Contudo, para uma análise, só isso não basta.

A diminuição da relação candidato/vaga no curso de pedagogia da UFPR, não pode ser apenas compreendida como resultado das condições inadequadas de trabalho dentro do campo escolar, caso fosse assim, diante de tantos problemas na escola dificilmente teríamos candidatos à vaga, entretanto esta composição que enxergamos na organização do sistema educacional brasileiro, posto o desafio de cumprir tua função, é um fator que colabora. Mesmo assim, as análises evidenciadas em vários debates me parecem caminhar neste sentido, o que não é ruim, para tanto se servir como instrumento de reinvindicação da melhoria do ensino público. Todavia, pensar apenas desta maneira é um equívoco, pois demonstra uma compreensão do curso de pedagogia como uma formação estritamente voltada para aérea escolar, o que não é verdade.

A pedagogia é uma ciência voltada aos “encaixes e desencaixes” do processo de ensino-aprendizagem, em ultima análise, é a ciência da educação – do processo educativo. Sabendo disso, é fato que este fenômeno não apenas acontece em sala de aula, ao contrário, se faz presente em diversos outros espaços, o que se faz necessário, evidentemente, um pedagogo (a) que coloque a luz os entraves deste processo e os resolva.

A pedagogia é, portanto, um curso no qual não somente reuni indivíduos interessados na área escolar, ainda que seja a maioria, mas em outras aéreas. A queda da procura e, portanto, do numero de candidatos à vaga demonstram por um lado o desconhecimento sobre a ciência pedagógica, por outro, uma desesperança com a educação, visto que a pedagogia para a sociedade em geral está ligado à prática escolar. Neste plano, verificamos que, apesar do crescimento de outras aéreas que reclamam por um pedagogo, o campo ainda passa despercebido aos olhos do Estado quando a pedagogia está voltada a escola. Quero dizer, em outras palavras que, não obstante a demanda de empresas e hospitais por este profissional, a falta de prestígio por este profissional está, muitas vezes, ligado aos entraves que testemunhamos na escola e, portanto, do modo como o Estado prioriza a educação. Ainda que, o pedagogo ou pedagoga pudesse ter em outras áreas um prestígio maior, a falta de compreensão sobre a função da pedagogia como ciência da educação por parte do conjunto social, torna para muitos o campo pedagógico necessário apenas para a escola, mesmo que para outras aéreas a necessidade seja a mesma - como muitos sabem - todavia é isso que reflete os números, mesmo sem fazer alguma pesquisa resumida com aqueles ou aquelas que buscam ingressar no curso, o que se vê no referido curso são homens e mulheres querendo trabalhar em escolas ou ministrando aulas. Talvez uma das respostas para isso seja o modo como estão organizados os currículos ou como as universidades concebem o curso. Em outras palavras, os candidatos buscam, quando se inscrevem no curso de pedagogia, trabalhar em escolas. Pois, a grade curricular no referido curso de pedagogia em determinadas universidades concebem o pedagogo (a) como docente, que – estritamente como estamos discutindo – deverá trabalhar em escolas.

Dito, após tudo isso, concluímos que não só aqueles ou aquelas que querem trabalhar na aérea escolar são candidatos a uma vaga ao curso de pedagogia, tampouco só aqueles ou aquelas que querem trabalhar em empresas ou hospitais. Ou seja, são diversos indivíduos que de alguma maneira são fascinados pelo processo educativo e o modo como a educação, no sentido amplo, se estabelece como relação entre os sujeitos sociais, que buscam cursar pedagogia. Nesse sentido que se inclina o pedagogo (a): no processo que permeia as relações entre ensinar e aprender.

Antes que termine este presente texto, instiguei essa discussão com alguns colegas da universidade, em que surgiram diversas análises que, no geral, tiveram como pano de fundo - a diminuição de candidatos para o curso de pedagogia-, a precarização das relações de trabalho dentro do ambiente escolar. Sendo acima de tudo, para a maioria, a escola o grande entrave para se cursar o curso de pedagogia, ainda que este não, necessariamente, diplomasse para atuar em ambientes escolares. E na medida em que foram feitas tais análises, tornou se evidente não apenas o entendimento de que o curso de pedagogia, se preferir o pedagogo, está intimamente ligado à escola, mais também de que a pedagogia não ocupa se de outra função se não esta: de resolver os problemas escolares. De modo que não se fuja da análise central que são os números, sobre isso posso dizer que: não apenas o ambiente escolar, aonde atua o profissional formado na pedagogia, como em outras aéreas a indefinição da função deste profissional persiste. Ou seja, o pensamento sobre o individuo formado em pedagogia está ligado à docência, muitas vezes, exclusivamente. O que acaba contribuindo para a baixa procura pelo referido curso. Isto porque, amarguramos um baixo investimento em educação e problemas históricos na formação e constituição da escola.

Enfim, para não me alongar mais, este presente texto teve como objetivo principal iniciar um debate, fruto dos números recolhidos referentes à relação candidato/vaga do curso de Pedagogia, no qual frequento, a fim de buscarmos respostas para o decrescente número de indivíduos que buscam vaga no referido curso. É notável, entretanto, que minhas contribuições não bastam como forma definitiva de análise, ainda mais num cenário de profundas mudanças no campo educacional, em que a sociedade brasileira busca através da aprovação do Plano Nacional de Educação – PNE, o aumento dos investimentos em educação e ampliação ao acesso a educação básica e superior, o que em certa medida pode melhorar as condições de trabalho dos envolvidos no processo educacional, em especial na prática escolar, que em geral, poderá fazer com que haja mais interessados para ingressar no curso de pedagogia. Por fim, é um desejo meu: que não fiquemos na tentativa exaustiva de querer o aumento do número de candidatos, tampouco uma intensa torcida para que o número não diminua. Ainda que os números possam explicitar determinadas relações, meu sonho será o momento em que a universidade se verá livre dos vestibulares e, portanto, será universal. Espero também, na mesma medida da universalização do ensino superior, que o curso de Pedagogia aos olhos da sociedade possa se valer importante, ainda que o seja para os intelectuais, em sua maioria, e que se aprofunda suas colaborações no campo da educação, aonde a pedagogia se faz ciência.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Prescritos do amor (6)

Por Rudá Morais Gandin

Há de ser assim - todo o tempo - quando a saudade bate, a vontade de tê-la novamente - estremece meu peito. Quem me dera pode controlar o que atravessa minha mente, quando me encho de recordações, ao passo que te encontro todos os dias em mim mesmo. Há de ser assim – todo tempo – quando a vejo, e ao mesmo tempo, não poder tê-la – estremece meu peito.

Posto o que eu sinto, quando não posso sentir. Tampouco demonstrar. Corroei-me o peito, na medida em que te tenho e não te tenho. Ao ponto, que te amo e não te amo. Às vezes, tornam-se amargo os dias, quando na verdade, - ao teu lado - amargos só os minutos de tua ausência.

domingo, 2 de outubro de 2011

A Escola como espaço de ascensão social

Por Rudá Morais Gandin

A escola tem ocupado na sociedade brasileira um espaço privilegiado nos discursos referentes à formação profissional e ascensão social dos indivíduos, visto que para muitos é na escola o lugar de redenção social. Para tanto essa relação tem se baseado, intimamente, com a oferta de cursos técnicos e profissionalizantes como politica de qualificação da mão de obra para o mercado de trabalho e iniciação ao emprego. Em outras palavras, as medidas governamentais e o discurso nesta aérea se estabelecem ao passo que os indivíduos tenham alguma formação especifica e que por ela possam pleitear os “melhores empregos” que o mercado oferece.

Neste contexto é habitual constatar a crescente demanda de cursos técnicos e profissionalizantes em diferentes áreas, não necessitando, por ora, para que os indivíduos ingressem no mercado de trabalho de algum curso superior qualquer. No limite estamos formando indivíduos capazes, apenas, de compreender e intervir em um espaço limitado, de um conhecimento fragmentado, especializado em determinada técnica. Quiçá possa gerar diversos debates diante dessa problemática, o fato é que, apesar das variadas criticas ao processo de formação e a futura atuação daqueles que egressão dos cursos técnicos e profissionalizantes, é estes que, ainda que possa ser minimamente, geram e garantem determinada formação e, por conseguinte, emprego e renda para incontáveis homens e mulheres que não ingressaram em universidades ou faculdades seja por ausência de vagas ou porque não quiseram.

Por tempo a oferta e a intenção do Estado brasileiro em alocar a população desfavorecida em uma escola na qual intencionalmente carecesse de qualidade se traduziram mais tarde em uma população, em sua maioria, analfabeta e desprovida de conhecimentos mínimos para o exercício pleno da cidadania. Em linhas gerais, a escola dualista brasileira, tratou de criar um abismo no processo de aquisição do conhecimento dos indivíduos, pois enquanto uns proviam de uma boa educação outros mal tinham acesso a ela. Neste cenário, poucos eram os indivíduos que ingressavam na universidade, enquanto a boa parte era destinada apenas aos cursos técnicos, a fim de alargarem as fileiras de uma força de trabalho destinada a exploração. Todavia, na década de 90 com a universalização da educação fundamental, tornando-a obrigatória pela constituição cidadã, o número de escolarizados passaram a serem maiores do que na década anterior, não significando infelizmente, a diminuição efetiva de analfabetos funcionais o que de regra persiste até hoje, ao mesmo tempo, a oferta de cursos técnicos e profissionalizantes deixa de ser ofertada na sua totalidade pelo Estado brasileiro e passa a ser disponibilizada em instituições privadas de ensino que, em geral, não possuem compromisso com a qualidade da oferta e, apenas, se preocupam em garantir seus lucros. Tendo em vista isso, o Estado notavelmente é cercado neste momento de politicas neoliberais, passando a ser um Estado de politica social mínima, no qual privilegia a contenção de investimentos em áreas essenciais para o desenvolvimento econômico e social do País. Essa ótica custou caro à população marginalizada pelo Estado, que no limite para se utilizar dos serviços públicos recorria a filas de espera, pois não detinham de capital para pagar escolas privadas ou fazer planos de saúde aonde pudessem usufruir de atendimentos preferenciais.

Apesar do fracasso do projeto neoliberal e da oferta de cursos técnicos e profissionalizantes – em instituições privadas ou não -, tendo como base o processo de formação aligeirado e extremamente especifico e desarticulado com as outras aéreas do conhecimento, algumas questões não vencidas desta politica ainda permanecem na tentativa de efetivação da oferta dessa modalidade de ensino no País. Porém, é verdade também, que no momento histórico que vivemos em que as politicas educacionais voltadas a esta modalidade especifica na qual segue se em expansão; elaborada, conduzida e ofertada pelo Estado - ao contrário do século passado - têm como matrizes outros modelos e conceitos, no qual a tornam essenciais para a edificação de uma sociedade da cidadania plena com pleno emprego, e indivíduos com boa formação. Ainda que existam críticas referentes a função desta modalidade no mundo do trabalho no capitalismo, o essencial, acredito, é conduzir esta modalidade a tornar a vida das pessoas mais dignas, ao passo que os estudantes possam ser trabalhadores conhecedores do processo de produção em sua totalidade em que pari passu possam posteriormente deter os meios de produção.

Entre tantos debates que cercam a politica de oferta desta modalidade pelo Estado ou não, os cursos técnicos e profissionalizantes possuem espalhados pelo país milhões de estudantes que buscam nesta formação futuros empregos que lhe deem uma vida melhor. Ou seja, a escola é para muitos deles e delas um espaço de ascensão social, de transformação de suas respectivas vidas e, portanto, é dever do Estado promover esta possibilidade. Quiçá a escola, quando no processo de formação, nessa respectiva modalidade, deve indubitavelmente zelar pela formação integral do sujeito, em outras palavras, prezar pela sua formação para além do empregado subjugado as leis do capital. Nesse sentido, presenciamos seja com cursos técnicos e profissionalizantes ou apenas com o término da etapa básica da educação uma exigência do próprio mercado de uma determinada escolarização; tá aí a questão: : ter requisitos mínimos de escolarização é garantir salário, talvez seja isso que costuma ainda fazer os jovens frequentarem a escola.