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domingo, 8 de maio de 2011

Presidente, MÃE e Mulher.

Por Rudá Morais Gandin

O Governo da primeira mulher presidente do Brasil já passou dos cem dias. Os primeiros meses têm agradado e causado surpresas com o “jeito Dilma” de governar. No geral, a Presidente mulher mantém a boa avaliação de seu antecessor. Contudo, o que haverá daqui para frente neste Governo ainda novo e engatinhando comparado ao governo do presidente Lula? O que esperar de uma presidente mulher e mãe?

Neste caderno especial de dia das mães, procurei organizar um tema que tivesse relação com esta data. Não me veio assunto melhor senão os primeiros meses desta Mãe Presidente. Mas o que escrever e discutir com os leitores deste periódico? Não tenho dúvidas que muito poderia se falar, contudo vou me dedicar a escrever sobre o Governo Dilma, em especial a figura da Mulher presidente e, sobretudo, mãe.

Ainda recente, dificilmente conseguiríamos fazer uma análise abrangente do governo e suas politicas e, tampouco, da figura mãe que “toca” este país. Entretanto, algumas medidas, ações e aprovações no congresso ou não, nos chamam a atenção que, em ultima análise, não diz respeito ao fato de ser ou não mãe. Porém, será mesmo possível discernir uma gestão pelo fato de quem presidi-la seja mulher/mãe ou não?

Em primeiro lugar, é evidente que eleger uma mulher/mãe presidente não foi uma tarefa fácil, até porque ainda sobrevive um preconceito tremendo em relação às mulheres, principalmente no que se refere à ocupação de cargos de direção que ilustram poder. É obvio que isso nada tem haver com capacidade, mas sim com o modo como a sociedade enxerga a mulher em seus espaços. Não é a toa que a mulher, e principalmente a mulher/mãe ocupou por diversas vezes na história espaços de inferioridade social, como também funções de submissão aos interesses masculinos. Todavia a mulher esteve relacionada à cozinha e os cuidados maternos, quando não a dona de casa. Tristemente esse pensamento ainda ocupa boa parte da sociedade que, por meio de piadas, reforça o preconceito e a submissão da mulher aos interesses masculinos.

Mas ser mãe e mulher é por ora uma tarefa mais árdua, ainda mais quando se é presidente. Isso porque volta e meia tem que enfrentar no congresso nacional – e no governo - posições contrarias a luta e aos direitos da mulher, fundamentalmente ao direito de escolha, mais precisamente, ao seu próprio corpo; de ser mãe ou não.

Para tanto, a presidente Dilma superou as indicações de mulheres de seu antecessor para ocupar os cargos do alto escalão de seu governo. Lula indicou cinco mulheres, Dilma nove. Ainda que um número tímido comparado ao número de pastas existentes, demonstra a vontade da Presidente em orientar politicas de igualdade entre homens e mulheres, assegurando oportunidades para todos e todas independente do sexo. Por ora, o número da população brasileira tem aumentado, e as mulheres segundo o último senso já são 97.342.162, pouco mais de três milhões a mais que o número de homens, e nem por isso ocupam ou estão em sua maioria presente nos espaços de poder e decisão do país, como é o caso da câmara de deputados ou senado.

Na verdade, muito tem sido conquistado pelas mulheres e mães nos últimos anos, contudo ainda falta muito para que mulheres e mães possam viver plenamente, longe de preconceitos, a fim, também, de decidir os rumos e as politicas do país. A eleição da Presidenta Dilma é um esforço para tal projeto, porém não basta. Pois, se as politicas de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres são essenciais, precisamos que isso se materialize de verdade. E se, ser mãe é um momento ímpar na vida das mulheres, precisamos também que tal afirmação vença o discurso e supere a vinculação da mulher apenas como reprodutora, possibilitando enxergar as mulheres/mãe como sujeitas, livres e de direitos.

Em tempo, ser mulher ou não, mãe ou não, é um dos elementos de um todo, numa sociedade na qual a diferença e diversidade precisam ser toleradas e respeitadas, como também asseguradas de direitos. Um governo no qual a Presidente é mulher tem todas as condições para ser um ótimo governo, quando pautado pelas demandas sociais e mudanças efetivas na melhoria de vida da população.

O governo Dilma, ainda tem dificuldades de seguir os rumos do crescimento, porém politicas como a erradicação da pobreza e ampliação do ensino técnico integrado demonstram seu comprometimento com o desenvolvimento do País. Obviamente aguardamos que Ela conduza o Brasil pelo caminho da distribuição de renda e desenvolvimento econômico, tornando, consequentemente, mães e mulheres, pais e homens felizes.

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